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domingo, 31 de janeiro de 2016

Paracleto Negro

Enquanto o levavam, agarraram Simão de Cirene, que estava chegando do campo, e lhe colocaram a cruz às costas, fazendo-o carregá-la atrás de Jesus. Lucas 23:26 NVI http://bible.com/129/luk.23.26.NVI Paracleto ou companheiro de jugo é a designação dada ao Espírito Santo por sua função de consolador, ajudador. Essa mesma função foi forçosamente atribuída a Simão durante o trajeto de Jesus pela "via crucis", a via dolorosa. A histórica sina de dor dos afrodescentes pelo mundo é freqüentemente vista como uma punição, como uma sentença que pesa sobre os prováveis descendentes de Cã, o filho escandaloso de Noe, ou de Caim, o primeiro dos assassinos. No entanto, essa passagem bíblica traz uma nova luz à questão da dor partilhada por Simão com o Senhor. Que privilégio teve esse discípulo? Aos apóstolos, tal destino fora negado naquele momento, embora Pedro tivesse pretendido assumi-lo, porém não teve forças e o negou três vezes. A Simão, o africano, porém, foi atribuída à força tal participação na obra redentora de Jesus. Ao carregar aquela cruz, ainda que por um pouco só, Simão representou todos os negros sofredores de todas as épocas, identificando-os com Jesus em sua dolorosa "via crucis". Há tantos que, ainda hoje, se martirizam, se autoflagelam em busca de purificação, de uma maior consagração; e o fazem voluntariamente. No entanto, poucos alcançam a bem aventuranca dada forçosamente ao negro Simão, posto que originário de Cirene, no norte da África, bem como, por tabela, a tantos outros negros sofredores involuntários como ele. "Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai- vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós." (Mateus 5:10-12 ARC)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Protegendo meus tesouros (2 REIS 20.12-19)

domingo, 14 de novembro de 2010 PROTEGENDO MEUS TESOUROS (2 REIS 20.12-19) A era monárquica em Israel e Judá foi marcada de grandes altos e baixos na história do povo de Deus. Quando os reis observavam os preceitos divinos, a nação inteira ganhava com isso. Porém, quando os reis desobedeciam, a nação inteira sofria. Embora todos os reis estivessem debaixo da instrução profética, nem todos observavam o que Deus sancionava pela boca dos seus profetas. Hoje a história se repete. Vivemos uma grande corrida pela bênção de Deus, e ao passo de que cremos que Deus não nos toma o que nos dá, penso eu que nós é quem não guardamos nossos tesouros, não colocamos guardas em nossas vidas e perdemos coisas valiosas devido à portas que abrimos para os assaltantes espirituais. A ênfase hoje é ser abençoado por Deus de diversas formas, mas não vigiar e guardar as coisas mais valiosas que Deus nos deu. O texto proposto para essa meditação, nos traz a história de um dos melhores reis que Judá já teve. Um homem temente a Deus, estrategista, inteligente, sábio, que trouxe 29 anos de prosperidade para Judá nos tempos do seu reinado. O Rei Ezequias. Mas como todo mortal, certa vez esse homem foi acometido pelo sentimento de soberba, e foi atingido por uma doença incurável. Ao constatar que suas riquezas de nada adiantariam, e que seu dinheiro não compraria sua cura, esse homem ora a Deus e se humilha clamando por misericórdia. Deus se agrada da oração desse homem e lhe concede mais quinze anos de vida, e o cura de sua enfermidade. Passados alguns anos, esse homem comete um dos piores erros que qualquer rei poderia cometer nos tempos monárquicos em Israel e Judá: abre as portas de sua casa e mostra todos os seus tesouros a Merodaque-Baladã, um babilônico. Todos nós sabemos que mais tarde, os babilônicos é quem invadiram Jerusalém levando tudo o que era mais valioso. Ezequias mostrou toda a riqueza para um povo inimigo. Ezequias derribou tudo o que havia conquistado ao abrir as portas de Jerusalém aos babilônicos. Ele não soube proteger seus tesouros mais valiosos. Como conseqüência desse gravíssimo erro, Isaías profetiza que esse mesmo povo levaria tudo o que era mais valioso de Jerusalém para a Babilônia. Precisamos proteger nossos tesouros. E não deixar que sejam roubados. Ezequias não soube guardar sua própria casa, seu próprio palácio. Essa maravilhosa lição nos ensina que nós não podemos cometer os erros de Ezequias. Quais foram os erros de Ezequias, o que alavancou uma estratégia de invasão que durou décadas e que nós não devemos cometer? 1) NÃO FAÇA ALIANÇA COM O SALTEADOR (v. 12) Meus queridos, notem que a nação que Ezequias buscou amizade foi a nação que amanhã invadiu, saqueou Jerusalém. Ezequias ao ser curado por Deus, aceitou a visita de Merodaque-Baladã, o rei da Babilônia. Com certeza a comitiva que examinou os tesouros de Ezequias ficou vislumbrada com tanta riqueza e tantos detalhes na casa do rei, isto é no palácio de Jerusalém e com certeza no templo. Nós não podemos fazer aliança com o salteador. Ele veio para roubar, matar e destruir. Ele veio roubar nossas riquezas, nossos sonhos e as promessas que recebemos do Senhor. Não faça aliança com Merodaque-Baladã. Não faça aliança com as trevas. Não se curve, meu amado, não ceda a pressões, não se contamine. 2) NÃO ABRA AS PORTAS DA SUA VIDA PARA O SALTEADOR (v. 13, 15) Meus irmãos, o Rei de Judá abriu os portões de Jerusalém, e deixou que a comitiva de Merodaque-Baladã entrasse e perscrutasse todos os tesouros da casa real. O segundo erro de Ezequias foi abrir as portas da cidade para os inimigos salteadores. A partir daí, meus amados, tudo o que era aprazível aos olhos dos babilônicos foi catalogado. Os tesouros da casa real, do templo e tudo o que tivesse valor. Meus amados, cinco gerações de reis depois, precisamente no reinado do rei Jeoaquim, em seu terceiro ano de reinado, a profecia de Isaías (v. 17,18) se cumpre conforme capítulo 24.13 e conforme Daniel capítulo 1. Provavelmente Merodaque-Baladã levou todo o inventário que foi levantado da casa real, para a Babilônia e durante cinco gerações de reis, a estratégia de invasão foi elaborada. Quando se abre as portas para o salteador, nossa vida é saqueada. Nossa família, nossos sonhos, nossos relacionamentos, enfim, os nossos tesouros são levados. Não abra as portas da sua casa, ou da sua vida para o salteador. 3) NÃO SE ACOMODE QUANTO À AMEAÇÃ DO SALTEADOR (v.19) Irmãos, o comodismo gerado pela frieza e pelo egoísmo do rei de Judá é impressionante. O profeta Isaías adverte que tudo o que era valioso em Jerusalém seria levado. Mas não era apenas ouro e prata. Era também a família do rei. Isaías prediz que os filhos de Ezequias seriam castrados e levados para servirem de eunucos na babilônia pelo resto de seus dias (v.18). Mesmo sendo apontado o erro do rei, ele não se retrata. Mesmo sendo informado das conseqüências nas gerações futuras, o rei não se importa. Estava vivendo uma vida confortável em seus dias. Ao receber as predições do profeta Isaías ele se tranqüiliza, dizendo: “ufa! Ainda bem que isso não vai acontecer no meu reinado”, “ainda bem que quando isso acontecer eu não estarei mais aqui, serão meus descendentes que enfrentarão os babilônicos”. O comodismo traz essa frieza e esse egoísmo. Não se acomode meu amado, vença o comodismo, deixe um forte legado. Ajude a construir os heróis da próxima geração. Eu e você não estaremos aqui, mas nossos filhos e netos sim. Não deixe que a próxima geração seja saqueada. Lute, fortaleça sua vida, seus sonhos, seus projetos, e deixe um legado vitorioso à próxima geração. Talvez você pense que a bomba não vai estourar na sua mão, mas talvez estourará nas mãos de seus descendentes. Lute, mude de vida, construa, e seja responsável por uma geração fortalecida e comprometida com Deus. Meus amados, proteja seus tesouros. O que é mais valioso para você hoje? Você tem protegido o que Deus te deu? Então não faça alianças com o salteador. Não abra as portas para o salteador, e não se conforme com as ameaças do salteador. Salve o tesouro da sua família, seu relacionamento com Deus, com seu Irmão, suas finanças, sua saúde, SUA ALMA. Proteja seu maior tesouro, em nome de Jesus, e não acredite em Merodaque-Baladã. Seja mais que vencedor em Cristo Jesus, em nome de Jesus, amém. Autor: Reverendo Adeir Goulart da Cruz. Disponível em http://revadeirgoulart.blogspot.com.br/2010/11/protegendo-meus-tesouros-2-reis-2012-19.html

sábado, 16 de janeiro de 2016

Curiosidades da Bíblia

Curiosidades da Bíblia (CdB) Eu gosto de festa, tenho de confessar, principalmente porque muitas delas vem acompanhadas de um maravilhoso banquete! Celebrar sempre é bom e quando recebo o convite já fico imaginando várias coisas como: será que vou gostar? serei recebido com alegria (ou será que me convidaram só pra não ficar "maus")? quem estará por lá? teremos bons "papos"? que iguarias serão servidas (nham nham nham)? as sobremesas então, será que terá alguma diet (não gosto de diet mas minha esposa acha que é melhor para a minha saúde)? ... Você também é assim, fica preparando-se espiritualmente para a festa? A Bíblia fala de vários banquetes, mas eu gostaria de falar de um em especial: leia [Mateus 22:1-14]. Vale a pena! Trata-se da parábola sobre um rei que convidou muitos para a celebração do casamento de seu filho. "Enviou seus servos aos que tinham sido convidados para o banquete, dizendo-lhes que viessem ..." [Mt 22:3]. Oba, recebi o convite e vou pra festa! Creio que será muito legal! Quanto aos preparativos, "... Digam aos que foram convidados que preparei meu banquete: meus bois e meus novilhos gordos foram abatidos, e tudo está preparado. Venham para o banquete de casamento!" [Mt 22:4]. Não falaram da sobremesa, mas uma picanha vai muito bem, você não acha? Também deve ter muita música e muita dança, e gente bonita ... (como eu?)! Mas tinha algo que não estava dando muito certo: "Enviou seus servos aos que tinham sido convidados ... mas eles não quiseram vir." [Mt 22:3]. O Rei era perseverante: "De novo enviou outros servos ... Mas eles não lhes deram atenção e saíram, um para o seu campo, outro para os seus negócios. Os restantes, agarrando os servos, maltrataram-nos e os mataram." [Mt 22:4-6]. Acho que ele convidou o pessoal errado, você não acha? Só eu aceitei o convite ... Pensando um pouco a respeito, tem muita gente ruim neste mundo, mas também tem muita gente boa que anda tão ocupada com seus afazeres que não atende sequer ao chamado do Rei ... pode isto? Claro que o Rei ficou irado com a situação e "... enviando o seu exército, destruiu aqueles assassinos e queimou a cidade deles." [Mt 22:7]. E a respeito dos demais, "... os meus convidados não eram dignos." e completou "Vão às esquinas e convidem para o banquete todos os que vocês encontrarem." [Mt 22:8-9]. Pelo menos os servos eram fiéis e obedientes e convidaram a todos os que encontraram. E a festa começou ... lá estavam "... gente boa e gente má, e a sala do banquete de casamento ficou cheia de convidados." [Mt 22:10]. Aí, se você não leu os versículos que recomendei, você deve estar pensando: porque uma estória destas encontra-se na Bíblia? Parece meio sem sentido ... Ela foi contada por Jesus a Seus discípulos após Ele ter entrado triunfalmente em Jerusalém, aclamado como Rei ... após ter expulsado os mercenários do templo ... após ter contado duas outras parábolas aos sacerdotes que "vestiram a carapuça" ... e iniciou esta dizendo que "O Reino dos céus é como um rei que preparou um banquete ..." [Mt 22:2]. Jesus falava do Reino de Deus ... e, em resumo, Deus escolheu convidados ... estes O rejeitaram ... e aí abriu o grande banquete convidando a todos que encontrava ... na verdade, eu estou nesta leva dos que os servos encontraram após a rejeição dos convidados originais. Mas a analogia não terminou por aqui ... o Rei entrou para ver quem estava na festa e, como em qualquer festa que conheci, tinha "penetra", "... notou ali um homem que não estava usando veste nupcial. E lhe perguntou: 'Amigo, como você entrou aqui sem veste nupcial?' O homem emudeceu." [Mt 22:11-12]. Todos foram convidados mas precisavam entrar "limpinhos", sem a sujeira, o pecado, que nos envolve em nosso dia-a-dia ... "Então o rei disse aos que serviam: 'Amarrem-lhe as mãos e os pés, e lancem-no para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes'." [Mt 22:13]. Se você não estiver limpo, os seguranças podem eventualmente "passar batido" mas nunca o Rei, o próprio Deus fazendo sua vistoria. Aí sobra a pergunta: como posso ficar limpo, usar o traje adequado, estar sem o pecado? Jesus deu o caminho das pedras: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda. Vocês já estão limpos, pela palavra que lhes tenho falado. Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês. Nenhum ramo pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Vocês também não podem dar fruto, se não permanecerem em mim." [João 15:1-4]. Precisamos estar enxertados na videira verdadeira para podermos produzir frutos verdadeiros, duradouros ... limpinhos! Tenha boas reflexões, boas decisões e ações, além de um dia e uma semana super abençoados por Deus, Senhor e Salvador ... Espero encontrá-lo no grande banquete do Reino de Deus! Notas do autor: Para incluir algum amigo nesta lista de distribuição, peça-lhe que envie um e-mail para curiosidades-da-bibla-subscribe@yahoogroups.com . Para contato com o autor ou exclusão da lista, mande um e-mail para curiosidades-da-biblia-owner@yahoogroups.com . Nunca deixe de verificar em sua Bíblia se o que está sendo dito aqui é verdadeiro ... seja nobre como os de Beréia [Atos 17:11]! Os versos Bíblicos são da Nova Versão Internacional - NVI, acessível via http://www.biblegateway.com/versions/?action=getVersionInfo &vid=NVI-PT#books !

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Gnosticismo Evangélico

Você é um gnóstico evangélico? É fascinante o quanto uma filosofia herética dos primeiros séculos pode permear o pensamento cristão em pleno século 21. Uma atividade interessante é se perguntar: “Consigo imaginar Jesus Cristo fazendo atividades comuns?” Veja como sentimos uma aversão inexplicável quando é sugerido que Cristo ria de piadas, tomava vinho com seus irmãos judeus, assistia algum evento esportivo, conversava sobre temas políticos ou apreciava uma música cultural. Parece-nos impossível que Jesus tenha ‘perdido seu tempo’ com atividades ‘comuns’ porque no fundo, acreditamos que tudo – exceto as conversas teológicas ou cultos religiosos – sejam banais para Deus. Somente o espiritual tem algum valor. É por isso que pode ser dito que o gnosticismo dos primeiros séculos ainda permeia muito pensamento cristão. Os gnosticos, representando a filosofia grega daquela época, criam que a matéria é má e somente o espírito é bom. De acordo com esse dualismo, nossos corpos inúteis servem somente como vasos para nossos espíritos eternos. O alvo de todo homem é buscar um conhecimento especial (gnosis) que o elevará à perfeição. Uma boa feijoada é frívola; um salário melhor é banal; um bom filme ou obra de arte é inútil. E conforme o gnosticismo infiltrava as discussões cristãs, argumentava-se que Deus só se agrada naquelas expressões espirituais: tempo devocional, oração e meditação na Palavra. Um pouco mais adiante, a igreja Católica Romana ensinava que há uma distinção concreta entre o secular e o sagrado. O trabalho do pedreiro é secular enquanto o padre se empenha naquilo que é sagrado. Qualquer música que não seja de cunho religioso é secular enquanto qualquer festa promovida pela igreja é santa. Aos poucos foi disseminada a ideia que o religioso tem mais valor para com Deus do que o comum. Não é tarefa difícil encontrar traços destes pensamentos no meio evangélico. Por exemplo: Supor que um pastor está em um nível espiritual que dificilmente será alcançado por um leigo. Definir como ‘carnal’ qualquer coisa que traz benefícios ou agrado ao corpo humano. O uso de maquiagem, por exemplo, é sinal de carnalidade. Toda festa deve incluir um momento de exortação espiritual. Se faltar, Deus não foi louvado pela comemoração. Quanto mais cultos por domingo (ou por semana) melhor, mesmo que cause exaustão nos membros. Espera-se que quem faz um curso de música a faz primordialmente para poder participar na adoração da igreja. Desejos sexuais são sujos e devem ser tratados com tal. No casamento, a expressão sexual é um ‘mal necessário’. Entretenimento só é válido se for breve e barato já que, para serem bem investidos, tempo e dinheiro deverão ser investidos em missões. Assume-se que um missionário que sacrificou muito para estar em uma terra distante agrada muito mais a Deus do que o simples cristão que alimenta e instrui seus filhos na sua cidade natal. A diversão, em grande parte, é uma distração satânica. Quem é dedicado, não se diverte. As obras que glorificam a Deus deverão ser sempre difíceis, dolorosas e de alto custo. Um cristão não pode enxergar beleza em quaisquer obras de arte se feitas por artistas não-cristãos. Entretanto, toda expressão artística feita por cristãos deve ser aplaudida pela comunidade evangélica. Tendo um dom ou chamado, não é necessário estudar em ambientes acadêmicas, já que Deus já te deu toda a capacitação santa que você necessita. Toda e qualquer atividade promovida pela igreja merece igual atenção e participação de todos os membros. Versículos como Rm 7.24 (“Quem me livrará do corpo desta morte?“) ou Rm 8.8 (“Os que vivem na carne não podem agradar a Deus“) são interpretados pela lente gnostica, insinuando que o corpo só atrapalha a expressão perfeita do espírito. Os exemplos acima compartilham entre si a ideia de que a espiritualidade é de muito mais valor do que o material. E por isso, muitos cristãos hoje não podem imaginar que Jesus Cristo expressou sua humanidade até nas coisas materiais. Como garoto, Cristo não pode ter um prato, uma roupa ou brinquedo favorito e nem se alegrava com presentes. Como adulto, não apreciava músicas ou obras de artes a não ser aquelas ligadas diretamente com a mensagem Messiânica. Uma das implicações deste gnosticismo evangélico é a crescente isolação dos cristãos. Deixam de se envolver nas artes, na economia, na politica ou nas discussões populares. Não vêm valor em produzir profissionais cristãos, respeitados no mercado ‘secular’ ou estudantes bem lidos que interagem com seus professores no ambiente acadêmico. Prevalece o sentimento que, já que nosso reino não é deste mundo, não devemos participar no andamento do mesmo. A matéria pertence aos ímpios; nós interagimos no meio espiritual somente. DEUS CRIOU O MUNDO Entretanto, segundo o relato de Gênesis, Deus criou tanto a matéria quanto a carnalidade (no sentido que somos seres carnais). Não foi o pecado que deu a Adão e Eva a capacidade de curtir a variedade de alimentos, se alegrar com os tons do pôr-do-sol, chorar de rir de alguma brincadeira boba, sentirem românticos ou apaixonados, ou curtirem uma praia e tomar água de coco. Não foi a nossa natureza caída que criou os desejos sexuais, a apreciação de uma boa sobremesa ou a alegria explosiva quando nosso time ganha o campeonato. Cada detalhe foi desenhado pelo Criador. O pecado pode distorcer a criação divina mas falta-lhe a capacidade de criar algo do nada. A REDENÇÃO RECRIA O MUNDO A mensagem do Evangelho promete um novo céu e uma nova terra. Mas isto não quer dizer que todas as consequências da redenção são meramente futuras. Em todas as épocas da história, se vê as bençãos da salvação: homens amando o próximo, servindo os pobres, sendo honestos, corajosos e fiéis. Uma vida transformada pelo Evangelho deve sim tocar outras vidas. JESUS CRISTO FOI UM HOMEM PERFEITO Jesus Cristo não foi menos humano do que nós. Na verdade, Ele foi o homem mais perfeito a existir, já que sua humanidade não sofreu a corrupção do pecado. Sua perfeição não consistia em anular sua humanidade e sim em expressar perfeição de forma tangível. O apóstolo João combate a visão gnostica quando afirma: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos e nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida […] Sim, o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos…” (1 João 1.1,3) Cristo pode rir de piadas, comemorar o casamento de amigos, torcer por um time esportivo com pureza, da mesma forma que nós faremos na nova terra. SOMOS SANTOS MUNDANOS Os puritanos do século 17 foram chamados de ‘santos mundanos’1, isto é: viviam no mundo sem participar do mundanismo. Não ignoravam seus contextos; antes, aplicavam os princípios bíblicos em todo aspecto da sua vivência. Longe de serem caracterizações estoicas, chatas e desligadas da realidade, foram homens e mulheres alegres, sinceros e festivos. Entenderam, corretamente, que Cristo não veio nos salvar da nossa humanidade e sim da nossa incapacidade de glorificar Aquele que nos fez humanos. Leland Ryken, Santos no Mundo, Editora Fiel ↩