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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Cristianismo Existencial

Tradução livre O Cristianismo é uma Comunicação Existencial Relativamente cedo em sua carreira literária, Soren Kierkegaard escreveu algo em seu jornal que recorda de onde o seu trabalho se tornaria focado: Cristianismo não é um doutrina, mas uma comunicação existencial... Kierkegaard escreveu isto como uma reação à igreja Luterana dinamarquesa e à caricatura que esta havia feito do Cristianismo, mas a distinção ainda é verdadeira para hoje. A concepção que prevalece é de que a pessoa é um(a) cristã(o) se ele(a) acredita nas doutrinas/verdades-chave (que variam dependendo da denominação), e se essa crença é professada a Deus em uma oração. De acordo com a essência do Cristianismo localizada nessas doutrinas; afirmações abstratas que dão a alguém a habilidade de saber quem é cristão ou não. Por exemplo, se um respeitável homem cristão age egoisticamente em uma dada situação, nunca se duvidará que ele seja um cristão. No máximo, sua ação é considerada “não-cristã”, mas sua identidade como um cristão é deixada intocada. Esta linha de pensamento atingiu o seu clímax com a doutrina da segurança eterna, que declara que uma vez que você seja salvo (por meio da profissão de fé nessas verdades cristãs), você nunca poderá perder seu status de perdoado e justificado, não importando o que você faça no futuro. Esses sentimentos iluminam o fato de que a essência do cristianismo é agora encontrada nas declarações doutrinárias. Acreditar nas ideias de que “Jesus Cristo ressuscitou de entre os mortos”, “o Deus de Abraão é soberano”, e “Deus irá julgar toda a humanidade algum dia” é ser atualmente quintessencialmente cristão. Consensualmente, tornou-se geralmente aceito que o que separa os cristãos dos pagãos é a crença nessas declarações, e que tornar-se cristão significa assumir um conjunto de crenças ou máximas religiosas. Qualquer mudança de caráter que acompanhe a conversão religiosa se torna uma recomendação desnecessária. No mundo intelectual essa concepção do Cristianismo é confirmada. As pessoas discutem e filosofam acerca de várias doutrinas, e chamam isso de Filosofia Cristã. O Cristianismo é definido hoje como “um sistema religioso de crenças que compreendem uma visão de mundo.” A declaração fundamental do Cristianismo Existencial é que o cristianismo não é um sistema de crenças, mas sim um estilo de vida epresso existencialmente. Uma “comunicação existencial” significa que algo é comunicado e expresso aos outros por meio da nossa existência, da maneira como vivemos e agimos nesse mundo. Tornar-se um cristão não envolve uma mudança de crenças, mas uma mudança de como vivemos e existimos dentro de um mundo arrogante e egoísta. Isto é revelado de três maneiras: a natureza existencial de Jesus Cristo; como expressamos existencialmente o cristianismo em nossa comunicação existencial aos outros e como a expressamos existencialmente perante Deus. A despeito da associação do existencialismo a uma filosofia desesperançada e sem Deus, o Cristianismo Existencial é primordialmente concernente com os ensinos de Jesus dentro de um ambiente paradoxal e sem significado. A natureza existencial de Jesus Cristo Jesus Cristo é o centro da religião cristã, se alguém estiver procurando compreender o Cristianismo não precisará olhar além, e se alguma ideia proposta estiver em conflito direto com algo que Jesus tenha dito, não deverá ser considerada como parte do Cristianismo. Um Cristianismo Existencial começa com o exame da natureza humana e da natureza de Jesus Cristo. Na igreja hoje existe uma tendência horrível de focar sobre o nascimento, a morte e a ressurreição; negligenciando o resto. O ciclo de pregação de uma igreja usual envolve um sermão sobre o nascimento de Jesus no Natal, sermões sobre a sua morte e sua ressurreição por ocasião da Páscoa, e a cada domingo uma mensagem sobre algo que Paulo tenha escrito (com a ressurreição de Jesus atada no fim para uma boa medida). Sempre que Jesus é mencionado em círculos cristãos isto é mais como dizendo respeito a como Ele morreu pelos nossos pecados e não muito mais. Mais desafortunadamente, a fixação em uma parte particular da vida de Cristo surge à custa do resto. Isto me entedia completamente, desde que em sua vida vemos alguns dos mais importantes aspectos de Jesus Cristo. Foi em sua vida que Ele ofereceu e deu vida eterna a muitas pessoas, Ele ensinou seus seguidores como viver corretamente, e Ele curou o medo que as pessaos tinham da morte, do senso de falta de significado, e da culpa. Mais importante, na vida de Jesus vemos a revelação direta da natureza de Deus (como Jesus mesmo disse, “se conhecerdes o filho, conhecereis o Pai”). A má concepção do Cristianismo como um sistema de crenças advém de uma leitura superficial da realidade de que o Novo Testamento é um documento ético. Nos Evangelhos não se encontrará teologia sistemática e filosofia, mas eles estão plenos de comandos éticos e diretivas existenciais. Considere os dois grandes mandamentos que Jesus deu: amar a Deus e amar ao próximo. Não é mera coincidência que Jesus Cristo tenha sido a figura mais influente da História, ainda que não tenha escrito uma só palavra. Ele não veio ao mundo para trazer um nova doutrina, uma nova religião, ou uma nova revelação teológica. Assim, Ele nunca palestrou ao público, e não se encontrarão seus tratados de mil páginas nos arquivos da Universidade de Jerusalém. O que Ele compartilhou com seus discípulos foi sua vida; sua própria existência. Ele diria às pessoas para ajudarem os pobres e humilharem-se a si mesmos em infatigável serviço só para exibir aquele comportamento em sua própria vida. Quando Jesus ensinava, Ele nunca compelia as pessoas a aceitarem uma nova doutrina por meio de provas, Ele escolheu dizer parábolas que as pessoas comuns pudessem entender e apreciar. Sem dúvida, quando Jesus pedia às pessoas que o seguissem Ele não apelava para uma mudança em suas crenças, ou religião, ou teologia, mas para uma mudança de vida. Jesus desafiou as pessoas em um nível existencial, repreendeu-as pela maneira como viviam, dirigiu-as ao arrependimento e as despediu instruindo-as como viver corretamente. Quando um advogado se aproximou de Jesus questionando-o sobre o caminho para a vida eterna, Jesus não tinha uma doutrina para lhe dar, mas sim um mandamento para vender todas as suas posses e segui-lo. Na parábola do Bom Samaritano, Jesus disse à congregação judia uma estória onde a pessoa que estava com Deus não era o sacerdote judeu que habitava com a Lei, mas sim o “gentio” samaritano que mostrou misericórdia. Ao final da estória o samaritano nunca foi evangelizado ou salvo, ele continuou sendo um samaritano, e continuou a engajar-se em sua cultura e práticas, mas ele estava ainda mais pleno de Deus pelo amor e renúncia que mostrou em favor do moribundo. O ensino de Cristo era ético e existencial em sua natureza, significando que Ele buscava mudar como uma pessoa habitava este mundo, e como tratava as outras pessoas. A doutrina não tinha lugar em Jesus e, quando Ele olhava para as pessoas, Ele não via suas crenças, mas somente seus corações. Alguém pode apontar que eu esteja negligenciando uma declaração verbal e aparentemente teológica que separava os seguidores de Cristo dos judeus, aquela de que “Jesus Cristo é Senhor”. Isto é justo, e era de fato uma nova contribuição, mas não teológica e não centrada em crença. Cristo deu àqueles discípulos um discipulado radical que mudou completamente a sua mentalidade para um estilo de vida de desapego, altruísmo e espiritualidade. Depois dos discípulos terem literalmente renunciado a tudo para seguir a Cristo, somente então estariam aptos a exclamar: “Jesus Cristo é Senhor!”. Esta declaração não deve ser compreendida intelectualmente, e está inteiramente fora do domínio da razão. Como pode alguém proclamar que um pobre e humilde judeu era o filho do Deus onipotente que criou a Terra? Na verdade, a máxima de que Jesus Cristo é o Senhor não é objetivamente justificada. A pesquisa histórica pode somente chegar ao ponto de admitir que Cristo viveu, morreu e reivindicou ser o Cristo (Messias). Filosoficamente, não há evidência que permita sugerir que seja racional o salto daquela reivindicação de Jesus ser Deus para a realidade de sua divindade. A declaração não faz sentido racionalmente, mas para os seus discípulos não havia nada mais verdadeiro. A proclamação dos discípulos de que “Jesus Cristo é o Senhor” veio de experiência, de convicção, de paixão e de evidência existencial (tendo sido mudados de pecadores em santos, por exemplo). Isto nunca significou que seria tornada numa declaração dogmática ou em algo a ser proclamado como intelectualmente verdadeiro. Tal experiência foi especialmente reservada para aqueles que morreram para si mesmos, o que essencialmente se obtinha existencialmente. Para os discípulos e outros seguidores de Cristo; ser cristão significa submeter-se a Jesus mediante um radical discipulado existencial. Cristo provocou tal impacto espiritual sobre eles que se tornaram “nascidos de novo”. Suas existências evoluíram para algo pleno e transcendente, que Paulo definiu como “um novo homem”. Foi a partir desta mudança que passaram a exclamar uns aos outros: “Jesus Cristo verdadeiramente é o Senhor!”. Eles não chegaram a essa conclusão a partir de evidência intelectual ou de pregação dogmática, mas sim por intermédio da maravilhosa mudança que Cristo fez neles. Assim, vemos a natureza existencial de Jesus Cristo. Ele não pretendeu ser transformado em uma doutrina. O erro fundamental do cristianismo moderno é a abordagem superficial sobre o fato de que Jesus foi um modelo, um protótipo; pois desejava ser seguido e imitado. As pessoas se tornavam seus seguidores a partir da imitação que faziam de suas boas obras, de seu serviço e do novo mandamento. A igreja de hoje exibe Jesus ao redor como um objeto de adoração e admiração. “Desde que Ele morreu e ressuscitou tudo o que nós devemos fazer é louvar o seu nome para sempre com canções e danças e boas orações decorativas”. Jesus foi o modelo, e os cristãos eram seus seguidores e imitadores. Jesus nunca pediu para ser adorado. De fato, em Lucas 11:27-28 você pode ver Jesus dirigindo a adoração para fora de si mesmo em respeito às pessoas que haviam ouvido suas palavras e as observavam, e as guardavam. O Cristianismo é expresso aos outros existencialmente, considerando Jesus primariamente dirigido pela ética orientada em seu ministério. Seus seguidores potenciais, para se tornarem seus discípulos, eram exigidos a assumir mudanças éticas. Jesus discernia se alguém merecia ser seu discípulo por meio de uma iniciação ética. Eu não vou expandir esse conceito muito mais aqui, mas a chave dessa iniciação ética era que ela divergia, dependendo do que a pessoa valorizasse mais em seu coração. Jesus disse a um homem, que desejava enterrar seu pai antes de seguí-lo, para “deixar aos mortos enterrar seus mortos” (Mateus 8:19-22). Estava claro que seu pai era, no mesmo nível, o único obstáculo no caminho daquele candidato a discípulo ou uma desculpa para ignorar a Cristo. Em Lucas 18:18-23, Jesus ordenou a um jovem muito rico que vendesse todos os seus bens, distribuísse todo o dinheiro aos pobres e, então, seguisse a Jesus para alcançar a vida eterna pela qual ele tanto ansiava. O homem rejeitou Jesus por ele valorizar muito sua riqueza. Na verdade, em Lucas 14:26 Cristo anuncia que para ser seu discípulo você deve odiar todos os acessórios mundanos; um verso que é frequentemente ouvido ecoar de algum púlpito. E finalmente, Jesus disse aos primeiros discípulos simplesmente: “venham e sigam-me”; pedindo aos homens comuns que abandonassem não só seus empregos ou ocupações, mas sua maneira de viver para seguirem a um estranho. O ponto é não somente que essa iniciação ética intentasse remover todos os acessórios temporais que as pessoas tinham, mas que Jesus almejava mudar a vida das pessoas, sem oferecer sequer uma menção às crenças, à doutrina ou à teologia de alguém. Uma parte significativa do porquê de o Cristianismo ser uma comunicação existencial é o fato que o Cristianismo só é expresso aos outros existencialmente. Isto significa que o sistema de crenças da pessoa não deveria ter lugar em como as outras pessoas percebem-nos como cristãos. Quando os discípulos completaram essa iniciação ética, e renunciaram a todo valor que colocassem no imediatismo, no materialismo e no hedonismo, Jesus lhes disse: “Por isso todos saberão que sois meus discípulos, se vos amarem uns aos outros” (João 13:35). As implicações do que Jesus disse eram bastante claras. Aqueles homens submeteram-se a uma iniciação ética objetivando revolucionar o que era importante para eles de modo a desenvolver um amor cristão genuíno e incondicional tanto por Deus quanto pelas pessoas. Possuir esse amor foi o único mandamento que Jesus deu aos seus discípulos, e o discipulado ético intencionou criar e desenvolver isso nos discípulos. Agora que os discípulos estavam comprometidos em imitar a Jesus, eles foram avisados de que as outras pessoas iriam separá-los dos judeus comuns e saberiam que eles eram seguidores de Jesus por causa desse amor incondicional que agora possuíam uns pelos outros. A única contribuição que Jesus deu à religião foi que a máxima de que “Jesus Cristo é o Senhor”, tinha de ser vivida pelos seus discípulos, não meramente acreditada, professada. O Cristianismo começou como um modo de vida; um estilo de vida existencial que esposou os ideais que Jesus tinha ensinado (tais como: amor, tolerância e perdão). O Cristianismo não era uma filosofia ou um sistema de crenças, e diferentemente das filosofias que não necessariamente tinham impacto, esse amor separou os cristãos dos judeus. Como os discípulos foram separados dos judeus por um amor único, assim os cristãos modernos se tornam separados do mundo pelo amor que expressam. A diferença no cristão é fundamentalmente existencial, tanto quanto o aspecto “existencial mostra em que você verdadeiramente crê”. Um cristão sem amor é um hipócrita e, de acordo com Jesus, não há fé em tal homem. A ideia é expressa mais resumidamente em Tiago 2:17, “a fé sem obras é morta”, significando que a ‘fé’ que professam não é real. O modo como o Cristianismo é intelectualmente expresso hoje aos outros (usando verdades e doutrinas dogmáticas) deriva de uma compreensão distorcida da palavra ‘fé’, negligenciando os Evangelhos e enfatizando as epístolas de Paulo, por vezes legalistas; a mistura do Cristianismo com o neo-Platonismo; e um equívoco acerca do pecado e de como Jesus propôs a salvação de sua condenação. Esses são os maiores erros que o Protestantismo moderno cometeu, e isso mudou completamente a compreensão dos discípulos acerca do Cristianismo. O resultado de uma evangelização não existencial ao Cristianismo é a estagnação e a alienação da sociedade. O Cristianismo é expresso aos outros existencialmente. O Cristianismo é expresso a Deus existencialmente. É possível que o Cristianismo seja expresso aos outros existencialmente, mas expresso a Deus dogmaticamente. Jesus, depois de tudo, disse “crede em mim e sereis salvos.” Para compreender adequadamente como o Cristianismo é expresso a Deus, devemos primeiro perguntar como agradar a Deus, e como Ele lida com o juízo e com o perdão. O Cristianismo moderno oferece um par de sugestões de como a humanidade pode agradar a Deus. A primeira é agir em louvor a Deus, tanto orando quanto louvando. É como dizer que a oração experimenta a mesma sorte de distorção que aflige a maioria dos outros conceitos cristãos. Orações são ofertadas a Deus hoje de uma maneira que se assemelha às expectativas humanas acerca de como a vida deve ser, um relacionamento de troca, de dar e receber. A pessoa dá a Deus louvor e ação de graças, aparentemente tentando demonstrar amor. E, então, pede favores a Deus, por direção em uma dada situação, e até mesmo requerendo que o futuro transcorra de certo modo. A validade desses pedidos vãos não se sustenta, louvor verbal é para Deus como uma trivialidade frívola que nem agrada a Deus nem demonstra qualquer amor real. A ideia de que nosso amor a Deus seja de algum modo mensurável em termos de comprimento, volume ou beleza das nossas orações de ações de graça é semelhante aos murmúrios e ruídos vãos que os Fariseus frequentemente praticavam, embora estivessem procurando o favor dos outros homens. Considerando que os cristãos de hoje estejam procurando encontrar o favor de Deus (por razões egoístas conscientes ou não), conforme Jesus, orações e declarações verbais como um todo não agradarão a Deus ou demonstrarão nosso amor por Ele. Elas não estão absolutamente erradas, mas colocar alguma importância sobre elas é descartar tudo o que Jesus disse sobre o que deveria constituir uma verdadeira religião. A segunda sugestão oferecida pelo Cristianismo moderno sobre como agradar a Deus e demonstrar nosso amor por Ele é a obediência. Tal posição possui um forte suporte das Sagradas Escrituras, já que no início do Velho Testamento a coisa que Deus aparenta apreciar mais em uma pessoa é a obediência. Também, Jesus bem resumidamente disse a seus discípulos que “se me amardes, guardareis os meus mandamentos.” Parece ser bastante claro que a maneira de agradar a Deus e demonstrar amor por Ele é a obediência, obedecer ao que Deus nos mandou fazer. No entanto, como acontece com a maioria da terminologia cristã, a palavra ‘obediência’ tem, através das gerações, sido mutilada de seu significado existencial e agora é definida por alguma afirmação abstrata de ‘comandos doutrinários’. Esta obediência abstrata é apropriadamente revelada por meio de uma atitude cristã comum acerca do comportamento relacionado à obediência. Se alguém não tomar cuidado será fácil ignorar os comandos existenciais de Jesus, baseando seu Cristianismo em crença, e avançando por delegar a obediência ao reino das tomadas de decisão esporádicas. O que significo com isso é que obediência é frequentemente definida como viver de acordo com o plano de Deus para a sua vida. Por exemplo, um estudante ansioso do ensino fundamental considera se frequentará uma faculdade secular ou uma orientada biblicamente, ou se irá direto ao Mercado de Trabalho (uma decisão que confronta todo adolescente). O adolescente usa a metodologia psicológica que foi determinada por anos de doutrinação religiosa (i.e. condicionamento mental com infinitas variações) para determinar que decisão tomar. Por meio dessa metodologia chega-se à conclusão de que a Faculdade Bíblica é o que Deus aprovaria. Seguindo aquela conclusão, se o adolescente decidir ou não ir à Faculdade Bíblica dependerá se ele for obediente a Deus e à ‘vontade de Deus’ para a sua vida. Na verdade, para avançar nesse ponto, os cristãos frequentemente percebem a ‘vontade de Deus’ como sendo qualquer ocorrência em uma dada situação. Com essa filosofia em mente, a obediência a Deus é viver em harmonia com a ordem de coisas pré-determinadas supostamente vinda de Deus, e com confiança em técnicas esotéricas para determinar que opinião o Espírito Santo tenha em um cenário muito específico. Esta obediência está só estreita e caprichosamente ligada a nossa vida. Adicionalmente, como sempre ocorre no Cristianismo moderno, a obediência a Deus é ligada à obediência ao dogma. Dizer de um ancião na igreja que é largamente conhecido por ser doutrinária e biblicamente respeitado, “ele conhece sua Bíblia como a palma de sua mão”, como os leigos frequentemente comentariam. Se esse ancião vem a acolher um ressentimento contra seu irmão que errou com ele há vários anos, e ainda não o perdoou, a análise comum seria demandar que ele deveria perdoar seu irmão. O reconhecimento que ele precisa para perdoar seu irmão é dado, mas a falta de obediência nessa área específica de sua vida não é pensada como impedimento de seu amor a Deus ou de quão agradável a Deus ele é. Jesus atribuiu severa condenação às pessoas que não perdoam, e ainda assim esse ancião é respeitado pelo seu formidável conhecimento bíblico. A ligação mal compreendida entre a obediência e o dogma remonta a um Cristianismo equivocado. A obediência abstrata ao plano geral de Deus para este mundo e uma afirmação para todas as significativas demandas teológicas feitas na Bíblia não agradam a Deus e não são um modo de demonstrar amor a Deus. A resposta para a questão de como podemos agradar a Deus e demonstrar-lhe nosso amor pode ser encontrada na declaração de Jesus: “se me amardes, guardareis os meus mandamentos”. A linguagem é suficientemente clara; Jesus está dizendo que guardar seus mandamentos é um componente necessário ao amor a Deus. Não se trata de um simples pedido que Jesus tenha feito aos seus discípulos, como se isso fosse uma coisa boa a se fazer se eles pudessem lidar com isso em seu atribulado estilo de vida. Ele estava simplesmente dizendo aos seus discípulos que se eles realmente amassem a Jesus e a Deus eles ouviriam sua palavra e a guardariam. O único ponto desse debate poderia ser no que consistiam os mandamentos de Jesus Cristo, mas mesmo isso era facilmente compreensível. Seus mandamentos eram vários ensinamentos que Ele ministrou através de sua vida que se relacionava exclusivamente em assuntos existenciais. A demonstração de amor a Deus, nesse sentido, se atinge por meio de se seguir os mandamentos existenciais de Cristo, e nada mais. Não apenas a “obediência abstrata” deixa de receber menção positiva por Jesus, Ele parece refutar essa ideia ao condenar os Fariseus por obedecerem à Lei judaica mesmo quando esta diretamente os impedia de fazer o bem (tal como curar no Sábado). É claro que os assuntos extremamente significativos acerca de como agradar a Deus e expressar amor a Deus são ambos respondidos ao seguir a Cristo em nível existencial, e somente assim. Crenças, doutrinas e dogmas não têm lugar de influência na expressão do Cristianismo perante Deus. Em que bases Deus julga e perdoa as pessoas? Seguir a Cristo e obedecer suas diretrizes não é uma tentativa de apaziguar um Deus irado, mas sim o modo de adquirir um relacionamento com Deus, atingir uma autoestima autêntica e equilibrada, e verdadeiramente ser perdoado de todos os pecados e transgressões. A enfermidade espiritual universal definida como ‘pecado’ é a razão pela qual as pessoas precisam de Jesus, e é a causa de todo medo e de todo sentimento de falta de significado neste mundo. A natureza do pecado não é o assunto neste texto, e é detetável, mas a noção de Jesus como a cura dessa enfermidade é suprema para se compreender como Deus perdoa o pecado na humanidade. A pedra fundamental da crença fundamentalista no Cristianismo é que um indivíduo é salvo do pecado e agraciado com o perdão na base de sua aceitação da morte e ressurreição de Jesus Cristo, expressa arrependimento por ter sido um pecador e afirme que o sangue de Jesus é que salva todos os homens de seus pecados. Isto é o que a igreja chama de tornar-se “salvo” ou “nascido de novo”. É assegurado que essa salvação vem pela fé somente. Não é só uma distorção da palavra fé, mas há um conjunto de evidencia escritural (a maioria especialmente de Jesus) que nega essa verdade. Em defesa do moderno conceito de salvação a igreja cita Paulo quando ele disse: “somos salvos pela graça, mediante a fé... não por obras” (Efésios 2:8) e Jesus quando Ele disse “crê em mim e serás salvo.” Antes de responder a esses dois versos, eu gostaria de declarar que a ideia da redenção existencial (ser perdoado e julgado por Deus inteiramente em uma base existencial) é algo que Jesus ensinou muito claramente. Primeiramente, Jesus considerou o amor e o perdão os únicos requisitos para se obter o perdão dos pecados. Em Lucas 7:47, Jesus discutia com uma mulher pobre que lavava seus pés com óleo, dizendo que “seus pecados, que eram muitos, foram perdoados; porque ela muito amou: mas aquele a quem pouco foi perdoado, esse pouco amou”. A linguagem não é ambígua e as implicações disso são muito claras: “o amor cobre uma multidão de pecados” (1 Pedro 4:8), e aqueles que amam pouco, pouco é perdoado. Em Mateus 6:14, Jesus declara de modo muito simples: “Porque se perdoardes aos homens as suas transgressões, vosso Pai celestial também vos perdoará”. Nenhuma outra condição necessária é mencionada por Jesus para se obter o perdão da parte de Deus, apenas se perdoar aos outros se receberá o perdão de seus próprios pecados. Finalmente, em Mateus 25:31-46, Jesus nos dá uma imagem de Deus assentado em um grande trono e julgando todos os povos da terra. As ovelhas e os bodes, que eram os símbolos usados para representar aqueles que alcançaram ou não o favor de Deus, eram julgados baseado em como trataram os menores dentre os seus irmãos (os pobres na sociedade). Deus julgou que aqueles que trataram bem aos pobres trataram bem a Deus, e vice versa. Esta revelação do julgamento divino não tem nada a ver com crença ou a moderna compreensão da palavra fé. Todos esses versos indicam que para obter o perdão de Deus você deve estar amando, perdoando e praticando a misericórdia. Qualquer requisito adicional pregado hoje não vem de Jesus. Além do mais, em um par de ocasiões Jesus condenou as pessoas pela única razão de que falharam em perdoar. Começando com Mateus 6:15, Jesus declara que “se não perdoardes os homens as suas transgressões, tampouco vosso Pai perdoará as vossas transgressões”. É importante notar que Jesus não deixa brecha para aqueles ‘respeitáveis’ cristãos que sabem sua Bíblia. Em uma parábola encontrada em Mateus 18:23-25, Jesus nos diz que Deus perdoa os pecados baseado em nosso próprio perdão aos outros. Nessa parábola havia um rei e um de seus servos que lhe devia muito dinheiro. Quando o servo foi intimado à presença de seu senhor, ele explicou sua miserável situação econômica e como era incapaz de pagar a dívida ao seu rei em tempo hábil. Movido por compaixão e misericórdia, o rei então decide perdoar a dívida ao homem e o envia de volta ao seu caminho. Em seguida, o servo perdoado ofende fisicamente um servo seu companheiro que lhe devia uma quantia muito menor de dinheiro, exigindo-lhe o pagamento imediato. Assim que o rei ouve acerca da falta de compaixão do servo perdoado, ele é intimado de volta à presença do rei e então é jogado na prisão até que sua dívida seja paga. Jesus compara essa estória ao Reino de Deus, com o servo representando uma pessoa em necessidade de perdão pelos pecados e o rei como o próprio Deus. Se uma pessoa se arrepende, Deus é gracioso e misericordioso e consequentemente perdoa abertamente qualquer pessoa que se arrependa. No entanto, se a pessoa perdoada não demonstra aos outros a mesma capacidade de perdoar que recebeu, Deus retirará o perdão concedido. Parece que Deus está demandando gratidão em relação a esse perdão obtido por meio do perdão aos outros por seus crimes cometidos contra você. Essencialmente, Jesus está pontuando que sem amor ou perdão, sem um fundamento existencial para o cristianismo de uma pessoa, não haverá perdão, e consequentemente um cristianismo sem fundamento existencial não é Cristianismo. Considerando que Deus concede perdão e julga condenando em termos existenciais, está claro nos Evangelhos que Deus relaciona-se conosco em como nos relacionamos com os outros. Significando que quanto mais amorosos, compassivos e perdoadores nos portarmos para com os outros, mais compassivo e perdoador Deus será para conosco. Sobretudo “o amor cobre uma multidão de pecados”, e prova que o Cristianismo é expresso a Deus existencialmente. Uma objeção muito comum à ideia de que o perdão é determinado existencialmente é encontrada no Evangelho de João, onde Jesus repetidamente assevera que tendo fé e acreditando nEle se recebe a salvação. O Cristianismo moderno orienta-se por uma definição popular daqueles termos para chegar à conclusão de que somos salvos por meio da fé, o que significa para eles uma afirmação intelectual de crença, e confiança em verdades que não podem ser vistas ou verificadas. No entanto, quando se considera o que crer em Jesus significava para os discípulos, essa objeção é abolida. Como tem sido argumentado através deste capítulo, Jesus não deu aos discípulos quaisquer verdades doutrinárias ou não existenciais para acreditarem, e a declaração de que “Jesus Cristo é o Senhor” chega e permanece em níveis puramente existenciais. Consequentemente, crer em Jesus não implica crença em novas máximas religiosas... Fonte: © 2009 Timothy Neal, All Rights Reserved 2 Existential Christianity - Christianity is an Existential Communication

Conferência durante feriado discute ciência e fé com religiosos

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2015/04/30/interna_cidadesdf,481406/conferencia-durante-feriado-discute-ciencia-e-fe-com-religiosos.shtml