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terça-feira, 7 de outubro de 2014

Bons ou Maus?

"E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus." (Mateus 19:17) Minha leitura da realidade, a partir das experiências colhidas ao longo de meus 58 anos de vida, é que a natureza humana foi corrompida e, independentemente do contexto, se manifesta tendente à transgressão. Mesmo o mais íntegro dos indivíduos, se colocado em posição de poder em que haja oportunidade e impunidade, fatalmente cairá em tentação. Portanto, precisamos de uma estrutura de controle cada vez mais onipresente que intimide ou, pelo menos, desestimule a manifestação da "banda podre" que todos carregamos em nosso DNA. O diferencial das nações chamadas desenvolvidas é exatamente esse. Pude constatar isso quando estive em Las Vegas no início deste ano de 2014. Até nos coletivos, as câmaras de vigilância estavam instaladas por toda a parte e o condutor monitorava o ambiente enquanto trafegava, além do controle central que integrava todas as unidades. No hotel Excalibur, em que me hospedei, e no ambiente da conferência (Mandalay Bay), a que atendi, havia cassinos e os guardas, todos de porte intimidatório, estavam por toda parte e eram bem caracterizados como tais, com todo o aparato necessário a uma pronta intervenção, se necessário. O "slogan" em letras garrafais na entrada do prédio era "Act like you own the place!", o que traduz bem o espírito e a cultura do lugar. Chamou-me muito a atenção, no entanto, o fato de que toda essa estrutura se destina exclusivamente a inibir, prevenir e reprimir os transgressores, pois se você agir corretamente não será molestado nem incomodado por nada disso, terá livre trânsito e será muito bem acolhido. Ou seja, o medo da violência e do terrorismo não impediu o exercício da hospitalidade, da urbanidade e da civilidade nos relacionamentos dos americanos com os estrangeiros. A lição aprendida, portanto, foi que, por nossa natureza ser perniciosa e pouco confiável, os instrumentos de vigilância e controle coibem de fato as práticas delituosas. Porém o mais importante é que os "bons" sejam reconhecidos, estimulados e valorizados como tais. Infelizmente, a tônica em nosso país é a lógica inversa, que idolatra os transgressores como celebridades, os embusteiros como ícones midiáticos, e os vulgares como heróis, enquanto os "bons" são ridicularizados e explorados como otários. Para saber mais: http://virusdaarte.net/o-homem-nasce-mau-ou-e-fruto-do-meio-onde-vive/

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