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domingo, 12 de outubro de 2014

A vertiginosa queda do rei Saul

Eis os principais motivos da rejeição de Saul como Rei perante o Senhor Deus de Israel: a desobediência e a mentira. O curioso é que o procedimento que Saul adotou era legal, nos termos propostos em Números 7. O seu erro consistiu na sua motivação equivocada: pretender negociar com Deus, transferindo a responsabilidade dos atos aos subalternos. Atenção Líderes: responsabilidades são indelegáveis e os requisitos de validade dos atos administrativos são: competência, motivação, finalidade, forma e objeto (http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/requisitos-de-validade-dos-atos-administrativos). Ainda hoje é muito comum o "fisiologismo", tanto na política quanto na religião. Porém Deus abomina esse comportamento, como deixou bem claro nesse episódio em que rejeitou Saul. As exterioridades vazias de legítima correspondência com uma íntima motivação que as autentique são sempre abomináveis, por serem típicas dos hipócritas. Jesus confrontou os hipócritas com veemência tal, que os comparou a sepulcros caiados, os quais aparentam pureza, mas estão cheios de rapina. Enfim, o principal cuidado a se ter é ser verdadeiro sempre, para se evitar a rejeição do Senhor. Tivessem Ananias e Safira assumido publicamente o que tramaram secretamente, talvez não teriam sofrido a pena capital, mas tão somente as conseqüências de sua limitação comunitária. Um banimento temporário estaria de bom tamanho, até que estivessem mais dispostos a compartilhar. Pedro mesmo os advertiu mais por terem pretendido mentir do que pelo seu ato egoísta em si. Na sequência de sua insanidade (Nesse contexto, cabe bem a citação de Eurípedes: “Quem vult deus perdere dementat prius” — “Deus primeiro enlouquece aquele a quem quer destruir”.), Saul usurpa a função de Samuel só para aparentar-se ainda detentor de alguma autoridade e, impaciente, oferece um sacrifício inútil, pois já sabia que seria rejeitado. Daí em diante, sua queda se precipita ao ponto de invocar espíritos de mortos, pela ilusão mediúnica de uma feiticeira (ironia do destino, já que essa classe havia sido sentenciada à morte pelo próprio Saul). A lição a ser aprendida é que, uma vez perdida a autoridade espiritual, a derrocada é certa e fatal, pois um "abismo chama outro abismo" cada vez mais profundo. Portanto, independente do contexto em que se exerça autoridade, se sacro ou secular, se ético ou moral, há que se corrigir o erro na origem ou admiti-lo, se insanável, para resgatar a integridade enquanto ainda houver alguma esperança de ser ouvido, pois a mentira pela negação, pela racionalização ou qualquer outro artifício, conduz à irremediável rejeição e consequente insanidade, a qual precede e anuncia a ruína iminente.

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